Educação sem fronteiras, profissionais sem limites

Redação Educade
Por Redação Educade
05 de setembro, 2012
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Em um país com dimensões continentais como o Brasil, onde a distribuição demográfica e de renda ainda estão concentradas nos grandes centros, o ensino à distância (EAD) ganha força como solução para democratizar o acesso à informação e sanar o problema da falta de qualificação profissional, que deixa muitas vagas em aberto no mercado de trabalho.

Além de dar igualdade de oportunidades aos alunos, disseminando o ensino de qualidade usualmente oferecido nas grandes capitais, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, o EAD apresenta-se com uma vantagem competitiva agressiva. Seu sistema é financeiramente mais viável, já que não soma ao valor do curso os gastos com alimentação extra, transporte, estacionamento e até hospedagem. Outra questão importante é que os alunos podem se dedicar às aulas em períodos que não afetem a atividade profissional ou mesmo outros cursos que porventura façam.

Desta forma, enxergo o EAD como um trampolim de qualificação profissional, bastando ao aluno observar as escolas que vêm investindo em conteúdo, técnicas e tecnologia capazes de suprir suas expectativas dentro deste modelo online. Esta é a nova busca destes consumidores de conhecimento, já tão conectados e engajados em suas redes sociais.

Nesse sentido, toda a mudança de comportamento nos leva a crer que a adaptação do presencial para o online faz com que o preconceito existente em relação ao ensino à distância diminua. A qualificação, a homologação e o chancelamento já são preocupações inerentes das instituições de ensino, mas aqueles que se lançaram ao desafio também poderão outorgar e, então, levar a um ciclo virtuoso. Uma das provas de que o mercado já vem aceitando de maneira igualitária as duas formações está na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que, recentemente, homologou o Curso de Comissário de Voo Online.

Há ainda outro fator que torna o EAD um bom negócio para os interessados na modalidade: existe no Brasil um movimento de migração de pessoas em busca de maior qualidade de vida e, para muitos, isso significa afastar-se dos grandes centros. Somando a este público a parcela da população que tem vontade de aprender mas vive em cidades pequenas e que através deste tipo de aprendizado cada vez menos abandona a terra natal, é possível enxergar um futuro promissor para este sistema, que vence barreiras e distâncias, formando também profissionais capazes de romper os limites.

Fonte: Jornal do Brasil

Salmeron Cardoso

Os desafios do ensino a distância no país

Redação Educade
Por Redação Educade
29 de agosto, 2012

O ensino a distância através da internet vem alcançando patamares jamais vistos. Através dessa modalidade, hoje, são mais de um milhão de estudantes em cursos regulamentados pelo MEC e a cada mês surgem mais opções no mercado. Só quem nem tudo são “flores” quando o assunto é educação a distância.

Para entender os lados positivo e negativo dessa modalidade de ensino, a Revista Administradores elaborou uma grande reportagem sobre o tema na edição de Abril, decifrando os atuais problemas e os maiores benefícios do ensino a distância. Um dos entrevistados nessa investigação foi o professor da Universidade de São Paulo (USP), David Forli, coordenador do MBA Gestão Estratégica EAD USP, primeiro MBA a distância em gestão de negócios da Universidade. O professor analisou os desafios que esse formato ainda percorre, os pontos a serem melhorados e suas grandes vantagens. Confira a entrevista na íntegra:

1 – Como você percebe a aceitação do mercado de trabalho para alunos com formação a distância?

Na verdade há ainda uma grande dúvida a esse respeito, os educadores de instituições precipuamente presenciais buscam apontar defeitos nos programas EAD e apontá-los, algumas vezes de modo até intransigente. A verdade é que no último ENADE um grande contingente de cursos teve média de alunos em EAD superior a média dos alunos presenciais (Administração e Pedagogia são exemplos).

Quanto ao mercado, tendo em vista os headhunters com quem mantenho contato, não há um preconceito declarado dos contratadores por conta da modalidade, muitas vezes esse preconceito se dá em razão da reputação da instituição, em nosso caso, sendo a USP, a questão fica bastante elucidada.

2 – Quais as principais competências de profissionais com essa formação?

Estamos na sociedade do conhecimento, na era das organizações liquidas (que se misturam a outras delegando parte de suas atividades e assumindo outras), num momento onde a educação continuada é cada vez mais exigida e necessária.

O profissional formado por meio de estratégias EAD desenvolve essa competência nova, de atuar em rede, de compreender capacidades e oportunidades novas. Por ter se inserido numa modalidade nova de educação, demonstra aos empregadores um perfil inovador.

Creio que se há preconceito com a modalidade ele é fruto do desconhecimento, o novo em geral causa essa reação ao estabelecido, lembre-se que a gravadora Decca (que já não existe) disse aos Beatles, “não gostamos de seu som e a música de guitarra está acabando”. Ao ser apresentada aos computadores portáteis a IBM disse “quem vai querer ter um computador em casa?”

3 – Você acredita que esse tipo de modalidade de ensino funciona para todas as áreas? Por exemplo, é possível imaginar uma graduação à distância de Medicina?

Eu acredito que a EAD tem uma grande, enorme aderência, às ciências sociais (Serviço Social, Administração, Pedagogia, Psicologia, Turismo, Filosofia…), onde há discussão de ideias e o aprendizado pela troca coletiva prevalece. Em alguns casos, o conteúdo a ser transmitido evidencia desafios inerentes, como a medicina que você menciona, cursos como este, Enfermagem, Engenharia que demandam práticas laboratoriais vão exigir novas adaptações de conteudistas e designers, reflita: como garantir, pela teoria e pela comunicação escrita, que uma nova prática foi assimilada?

Creio que ainda precisaremos de inovações tecnológicas que nos permitam avançar com mais segurança, contudo não vejo essa possibilidade como um futuro tardio e nem tão pouco distante. Indico uma palestra que ocorreu no TED, uma organização que realiza eventos periódicos para atualizar o mundo com novidades de TI e formas de pensar. A palestra é ministrada por Pattie Maes do Media LAB do MIT, que em conjunto com seu aluno Parnav Mistri, criou um dispositivo para desenvolver uma espécie de “sexto sentido”. Tendo em vista as possibilidades da EAD, dispositivos como esses podem revolucionar novamente a comunicação e certamente a EAD.

4 – Em sua opinião, quais são as maiores vantagens e desvantagens do EAD?

Dentre as vantagens eu destacaria a mobilidade e flexibilidade, que apesar de parecerem lugares comuns são efetivamente vitais na vida contemporânea, onde todos parecem estar sem tempo, há metodologias que permitem realizar atividades com uma grande janela de flexibilidade com o apoio contínuo da tutoria. Cabe acrescentar ainda a relação de individualidade com o saber, claro que os cursos sempre buscam incentivar a troca, a coletividade, mas a relação do aluno com os novos saberes se dá no plano individual e ele pode se apropriar destes novos saberes com a profundidade que lhe couber melhor.

Além disso, há sempre inúmeros links e oportunidades de ampliação do conhecimento, desse modo, para conteúdos que interessem mais ao aluno pode haver um aprofundamento personalizado segundo áreas de interesse.

O networking desenvolvido num ambiente acadêmico a distância não depende da empatia física. Especialistas no assunto reconhecem que bons contatos deixam de ser realizados por uma determinada pessoa “parece meio de mau humor” ou que aparentem qualquer sentimento negativo como tédio, má vontade, ocupação, estresse… enfim todos estes sentimentos são na verdade preconceitos que desenvolvemos em relação a quem não conhecemos. Os relacionamentos desenvolvidos no ambiente acadêmico a distância não passam por esse filtro. Como disse John Guare “toda pessoa é uma porta que se abre para outros mundos” num MBA a Distância você abre diversas portas, em diversas cidades, em muitas empresas, para vários Mundos.

Nas desvantagens voltamos ao assunto networking, veja, há pessoas que simplesmente não conseguem desenvolver relacionamento via tecnologias EAD, elas até conseguem trocar algumas ideias, conversar, mas tem dificuldade em aprofundar o relacionamento. Outro ponto é a questão da disciplina, por mais que a metodologia do curso possa ajudar, algumas pessoas têm dificuldade em manter a rotina de atividades a distância e isso dificulta bastante sua participação no curso. De algum modo as desvantagens que menciono parecem apontar para o fato de algumas pessoas, tem dificuldade em se adaptar à modalidade EAD.

5 – Nos últimos anos houve uma verdadeira explosão de cursos, graduações e pós-grduações/MBA a distância. No entanto, nem todos primam pela qualidade e muitos não são reconhecidos pelo MEC. O que é preciso ser feito para que o surgimentos de cursos e instituições via EAD mantenham um padrão de qualidade?

Meu caro, esse é um ponto muito importante. Faço parte das comissões de avaliadores do MEC e creio que o MEC deve ampliar em muito a supervisão das instituições, acompanhar seus indicadores essenciais tais como a relação de alunos por tutor. Há instituições que trabalham com 1 tutor para cada 200 ou 300 alunos, eu já vi até 500, claro que não se pode garantir qualidade com um volume de alunos desse porte.

Deve-se examinar qual a carga de atividades exigida do aluno. Temos percebido que os bons cursos exigem ao menos uma hora e meia de dedicação diária dos alunos. Cursos formais (graduação e lato-sensu) com menos exigência do que isso são questionáveis. Pode-se fazer verdadeiros pactos velados de mediocridade nesse sentido, a instituição exige pouco, o aluno entrega pouco, ninguém reclama de nada e por consequência pouco se aprende.

6 – Além da fiscalização, existe algum outro fator que prejudica?

Considero ainda que haja muita liberdade metodológica. Creio que numa medida isso é bom, mas o MEC deveria avaliar a consistência metodológica das propostas pedagógicas das instituições, ou seja, qual a rotina mínima de atividades acadêmicas exigidas. Desse modo a instituição se obrigaria a penar nisso, o que vemos é que até há entrega de conteúdo, mas há poucos instrumentos de medição do aprendizado.

Tenho estimulado ainda maior abrangência do ENADE, constituindo-se de fato em um que é um censo da qualidade da educação superior, o ENADE tem muitos méritos, mas não deveria ser amostral, deveria ser obrigatório para todos os alunos e todos os cursos em todos os anos.

 

Fonte: Administradores

Ensino à distância: isso ainda vai ser grande no Brasil

Redação Educade
Por Redação Educade
22 de agosto, 2012
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Não faz muito tempo que cursos online eram vistos como formação, no máximo, complementar àquela tradicional. Hoje já não é mais o caso. Tanto que algumas das melhores universidades do mundo oferecem cursos de MBA à distância - alguns deles dão aos alunos que graduarem diplomas exatamente iguais àqueles dos alunos de aulas presenciais.

Nos Estados Unidos, o número de MBAs e cursos complementares que podem ser feitos pela internet cresce, mas no Brasil ele cresce em uma proporção ainda maior. Por aqui, segundo dados do relatório “Manual do Ensino à Distância no Brasil” feito pela HSBC Global Research, cerca de 12% dos alunos matriculados em um curso particular de ensino superior eram do ensino à distância. Já nos EUA, o número não chegava a um terço disso.

A expectativa para 2022 é que cerca de 1,2 milhões de pessoas estejam matriculadas em cursos privados de ensino à distância. Isso representaria 16% do total de matrículas no mercado, e um crescimento médio anual de 3,8% até lá.

O segmento tende a crescer, de acordo com o relatório, por conta das oportunidades que oferece. Segundo os especialistas do HSBC Global Research, o potencial de crescimento se dá por causa da “conveniência e custo mais baixo comparado aos cursos tradicionais”.

Alunos mais velhos, por exemplo, que se formaram do ensino médio há anos, são um grande grupo potencial para ensino à distância. O avanço nas tecnologias da área (com chats ao vivo, produção audiovisual e softwares para provas e exames, por exemplo) também colabora para a disseminação desses cursos e para maior aceitação deles.

Fonte: Exame

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